Quem transforma negócios por meio da tecnologia também precisa cuidar do futuro do próprio negócio.
No dia 19 de outubro, celebramos o Dia do Profissional de Tecnologia da Informação (TI), uma data dedicada a quem desenvolve, conecta, protege e transforma o mundo digital.
Da criação de um aplicativo à segurança dos dados de uma empresa, existe um profissional de tecnologia por trás de soluções que fazem parte da nossa rotina. São desenvolvedores de software, programadores, analistas de sistemas, especialistas em infraestrutura, cibersegurança, dados, inteligência artificial e tantos outros profissionais que tornam a inovação possível.
Mas existe um lado dessa trajetória que também merece atenção: o profissional de TI como empreendedor.
Muitos começam prestando serviços individualmente, assumem projetos maiores, conquistam contratos recorrentes, desenvolvem soluções próprias e, com o tempo, transformam seu conhecimento técnico em uma empresa.
E é justamente nessa evolução que surgem dúvidas importantes: como abrir um CNPJ? Quais impostos uma empresa de tecnologia paga? Um desenvolvedor pode ser MEI? Como organizar o faturamento, receber do exterior e planejar o crescimento?
Na Solvção Contabilidade, entendemos que a gestão de um negócio de tecnologia precisa acompanhar a mesma evolução das soluções que ele oferece.
Por isso, aproveitamos esta data para reconhecer esses profissionais e compartilhar orientações sobre contabilidade para profissionais de TI, gestão financeira e empreendedorismo no setor de tecnologia.
O mercado de tecnologia cresce. E os desafios de quem empreende também.
A tecnologia deixou de ser apenas uma área de apoio às empresas. Hoje, participa diretamente da forma como os negócios vendem, atendem clientes, administram informações e tomam decisões.
Esse protagonismo aparece nos números.
Segundo o estudo Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2026, divulgado pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), o mercado brasileiro de Tecnologia da Informação movimentou US$ 67,8 bilhões em 2025, crescimento de 18,5% em relação ao ano anterior.
Para 2026, a projeção é de crescimento de 5,3%.
O estudo também destaca uma mudança no comportamento das empresas: além de investir em novas tecnologias, elas estão priorizando eficiência, integração de soluções e resultados concretos.
Isso cria oportunidades para profissionais e empresas que oferecem serviços de desenvolvimento, automação, infraestrutura, inteligência artificial, suporte, segurança da informação e consultoria tecnológica.
Entretanto, conquistar projetos e aumentar o faturamento não significa, necessariamente, construir uma empresa financeiramente saudável.
Um negócio pode ter bons contratos e ainda enfrentar dificuldades por falta de planejamento tributário, controle de despesas, organização financeira ou acompanhamento de resultados.
A capacidade técnica ajuda a conquistar clientes. A gestão empresarial ajuda a transformar essas oportunidades em crescimento sustentável.
De profissional de TI a empresário: o que muda?
Um desenvolvedor pode começar trabalhando por conta própria, atendendo duas ou três empresas e recebendo por projeto.
Com o tempo, novos contratos aparecem. O volume de trabalho aumenta, surgem oportunidades de parceria e talvez seja necessário contratar outros profissionais.
Nesse momento, a atividade deixa de ser apenas uma prestação de serviço individual e passa a exigir decisões de negócio.
É preciso compreender quanto realmente custa cada projeto, qual parte do faturamento será destinada aos impostos, quanto pode ser retirado pelo proprietário e quanto deve permanecer na empresa.
Também entram nessa rotina contratos, notas fiscais, obrigações tributárias, fornecedores e planejamento financeiro.
Essa realidade não se limita aos programadores. Ela também faz parte da vida de profissionais que administram empresas de consultoria em TI, software houses, negócios SaaS (software oferecido por assinatura), serviços de infraestrutura, segurança digital e soluções em nuvem.
Cada modelo possui particularidades. Uma empresa que comercializa assinaturas de software, por exemplo, não necessariamente terá a mesma operação financeira e tributária de um consultor que presta serviços por hora.
Por isso, a contabilidade precisa considerar o que a empresa efetivamente faz, como recebe e quais são seus planos de crescimento.
Profissional de TI pode ser MEI? Entenda antes de abrir seu CNPJ
Essa é uma das dúvidas mais comuns entre os profissionais que estão começando a empreender.
A resposta depende da atividade exercida.
Desenvolvimento de software, programação e consultoria em TI não estão entre as ocupações permitidas ao Microempreendedor Individual (MEI).
Entretanto, determinadas atividades relacionadas à informática, como instalação de redes de computadores e manutenção de equipamentos, podem ser permitidas, desde que correspondam exatamente às ocupações autorizadas e sejam cumpridos os demais requisitos.
O Portal do Empreendedor mantém a relação oficial dessas atividades.
Isso significa que não basta escolher um código de atividade parecido com o serviço oferecido. O enquadramento precisa representar o trabalho realizado na prática.
Um desenvolvedor que abre um MEI utilizando uma atividade diferente apenas para conseguir emitir notas fiscais pode criar irregularidades e enfrentar problemas tributários.
Qual é a alternativa para quem não pode ser MEI?
Dependendo do caso, o profissional pode constituir uma empresa com natureza jurídica adequada, como uma Sociedade Limitada Unipessoal ou uma sociedade limitada com sócios.
A empresa poderá ser classificada como Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP), conforme os requisitos legais, e avaliar a possibilidade de tributação pelo Simples Nacional.
É importante compreender que natureza jurídica, porte empresarial e regime tributário são conceitos diferentes.
A escolha mais adequada depende das atividades desenvolvidas, da previsão de faturamento, da estrutura do negócio e da existência ou não de sócios.
Antes de abrir um CNPJ, vale realizar uma análise contábil para evitar escolhas que possam limitar o crescimento da empresa ou gerar custos desnecessários.
Qual CNAE utilizar para abrir uma empresa de tecnologia?
O CNAE é o código que identifica a atividade econômica exercida pela empresa.
No setor de TI, existem diferentes classificações, como:
- 6201-5/01: desenvolvimento de programas de computador sob encomenda.
- 6202-3/00: desenvolvimento e licenciamento de programas de computador customizáveis.
- 6203-1/00: desenvolvimento e licenciamento de programas de computador não customizáveis.
- 6204-0/00: consultoria em tecnologia da informação.
- 6209-1/00: suporte técnico, manutenção e outros serviços em tecnologia da informação.
Esses códigos podem ser consultados na Classificação Nacional de Atividades Econômicas do IBGE.
Mas atenção: uma empresa pode desenvolver um software, comercializar licenças, oferecer personalizações e prestar serviços de suporte. Essas operações nem sempre recebem o mesmo tratamento tributário.
Por isso, a definição do CNAE principal e das possíveis atividades secundárias exige uma análise de cada serviço efetivamente prestado.
Uma classificação incorreta pode afetar o enquadramento fiscal, a emissão das notas e os tributos devidos.
Quais impostos um profissional de TI PJ paga?
Não existe uma única resposta para todas as empresas de tecnologia.
O valor dos impostos depende de fatores como atividade econômica, regime tributário, faturamento, folha de pagamento e características das operações.
Entre os regimes que podem ser avaliados estão o Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real.
No Simples Nacional, diversas atividades de TI podem ser tributadas conforme o Anexo III ou o Anexo V, dependendo das regras aplicáveis e, em determinados casos, do chamado Fator R.
O que é o Fator R e por que ele importa para empresas de tecnologia?
O Fator R é um cálculo utilizado para determinar a tributação de determinadas atividades prestadoras de serviços no Simples Nacional.
Ele considera, em linhas gerais, a relação entre a folha de salários, incluindo o pró-labore e encargos previstos na legislação, e a receita bruta acumulada nos últimos 12 meses.
Para as atividades sujeitas a essa regra:
- Quando o Fator R é igual ou superior a 28%, aplica-se o Anexo III.
- Quando é inferior a 28%, aplica-se o Anexo V.
Na primeira faixa de faturamento, as alíquotas nominais iniciais são de 6% no Anexo III e 15,5% no Anexo V. Esses percentuais não representam, entretanto, o imposto devido por todas as empresas: as faixas de receita, deduções e demais regras precisam ser consideradas.
É justamente por isso que o planejamento tributário faz diferença.
A definição do pró-labore, a organização da folha e o acompanhamento da receita precisam ser realizados com base na realidade da empresa e nas exigências legais, e não apenas na intenção de reduzir impostos.
A contabilidade consultiva ajuda o empresário a compreender esses fatores e avaliar as alternativas legalmente disponíveis.
Pró-labore e distribuição de lucros: o dinheiro da empresa não é o dinheiro do sócio
Receber o pagamento de um cliente na conta da empresa não significa que todo aquele valor esteja disponível para uso pessoal.
Parte da receita deverá cobrir impostos, despesas operacionais, fornecedores, investimentos e compromissos futuros.
Em uma empresa de tecnologia, o empresário também precisa considerar a diferença entre pró-labore e distribuição de lucros.
O pró-labore é a remuneração pelo trabalho exercido pelo sócio na administração da empresa, sujeita às regras tributárias e previdenciárias aplicáveis.
Já a distribuição de lucros corresponde à destinação dos resultados da empresa aos sócios, respeitando as regras legais e contábeis.
Essa organização ganha ainda mais importância em 2026.
Com a Lei nº 15.270/2025, passaram a existir novas regras de tributação sobre lucros e dividendos. Entre elas, a retenção de Imposto de Renda de 10% quando uma mesma empresa distribui a uma mesma pessoa física residente no Brasil mais de R$ 50 mil em um único mês, incidindo sobre o valor total distribuído, observadas as exceções legais.
A mudança reforça a importância de manter registros contábeis adequados e planejar a remuneração dos sócios.
O objetivo não é apenas cumprir uma obrigação fiscal, mas também preservar a organização financeira e patrimonial do negócio.
Trabalha para empresas do exterior? A contabilidade também precisa acompanhar
A possibilidade de prestar serviços para clientes internacionais é uma das oportunidades de quem atua em tecnologia.
Desenvolvedores, consultores, profissionais de dados e especialistas em segurança podem trabalhar remotamente para empresas de diferentes países.
Mas receber em dólar ou em outra moeda envolve cuidados.
É necessário avaliar a natureza do serviço, o contrato celebrado, a documentação da operação, a emissão da nota fiscal e o tratamento tributário aplicável.
Também é importante acompanhar as despesas financeiras e cambiais associadas ao recebimento.
Em determinadas situações, operações caracterizadas legalmente como exportação de serviços podem receber tratamento tributário específico.
Entretanto, prestar serviços a uma empresa estrangeira não significa que a receita esteja automaticamente isenta de impostos no Brasil.
A análise depende das características concretas da operação, da legislação aplicável e do regime tributário da empresa brasileira.
Com orientação contábil, o profissional consegue estruturar essas operações e compreender o impacto financeiro de cada contrato internacional.
Empresas SaaS e software houses: por que faturamento não é sinônimo de lucro?
Imagine uma empresa que desenvolveu um sistema e comercializa seu acesso por assinatura mensal.
A cada novo cliente, a receita recorrente aumenta. Mas, ao mesmo tempo, podem crescer os custos com hospedagem, infraestrutura em nuvem, ferramentas de desenvolvimento, atendimento, suporte e manutenção.
Além disso, existem investimentos contínuos em segurança, melhorias do produto e atualização tecnológica.
Se a empresa acompanha apenas o valor das assinaturas recebidas, pode acreditar que está crescendo de forma saudável, quando a margem de lucro está diminuindo.
Por isso, empresas que trabalham com softwares e serviços recorrentes precisam observar indicadores como:
Receita recorrente: quanto a empresa recebe periodicamente pelas assinaturas e contratos.
Custos operacionais: quanto é necessário gastar para manter o serviço funcionando.
Margem de lucro: quanto sobra após os custos e despesas considerados.
Inadimplência: quais valores contratados ainda não foram efetivamente recebidos.
Fluxo de caixa: quanto dinheiro entra, quanto sai e quais compromissos precisarão ser pagos.
Esses dados permitem responder a perguntas importantes: vale a pena contratar mais um desenvolvedor? O preço da assinatura cobre os custos? Existe dinheiro suficiente para investir em infraestrutura? A empresa pode assumir um contrato maior?
A contabilidade e a gestão financeira ajudam a transformar essas informações em decisões.
Profissional PJ ou CLT: o que considerar antes de aceitar uma proposta
Outra situação comum na área de tecnologia é receber propostas de contratação como Pessoa Jurídica.
À primeira vista, o valor oferecido pode parecer mais atraente do que uma remuneração CLT. Mas a comparação precisa ir além do valor mensal.
Ao atuar como empresário, o profissional passa a assumir responsabilidades relacionadas à própria estrutura de trabalho.
É necessário considerar impostos, contabilidade, contribuição previdenciária, férias não remuneradas, períodos sem contratos, equipamentos, ferramentas e reserva financeira.
Também é fundamental que a prestação de serviços corresponda a uma relação empresarial legítima. A simples existência de um CNPJ não elimina eventuais obrigações trabalhistas quando estão presentes elementos característicos de vínculo de emprego.
Portanto, antes de aceitar uma proposta PJ, vale calcular o rendimento líquido esperado e compreender as condições contratuais.
Uma boa oportunidade profissional também precisa fazer sentido do ponto de vista financeiro e jurídico.
Reforma Tributária: o que as empresas de tecnologia precisam acompanhar?
As mudanças tributárias também fazem parte do planejamento das empresas de TI.
Em 2026, o Brasil está no período de transição e testes da Reforma Tributária do Consumo, que prevê a introdução gradual da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).
Essas mudanças tornam importante acompanhar a classificação dos serviços, as regras de documentação fiscal e o modelo de tributação da empresa.
Há também uma atualização prática para prestadores de serviços: conforme as orientações da Receita Federal publicadas em agosto de 2026, microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional deverão utilizar o Emissor Nacional da NFS-e a partir de 1º de novembro de 2026, nas operações abrangidas pela obrigatoriedade.
Para essas empresas, as regras relativas à CBS e ao IBS no Simples Nacional passam a produzir efeitos a partir de janeiro de 2027, conforme a regulamentação aplicável.
Isso significa que o empresário de tecnologia precisa acompanhar as mudanças, mesmo quando toda a sua operação acontece pela internet.
É nesse cenário que a orientação contábil ganha ainda mais relevância: identificar as obrigações, preparar a empresa para as atualizações e apoiar as decisões tributárias com antecedência.
Como a Solvção Contabilidade apoia profissionais e empresas de tecnologia?
Assim como um sistema precisa de processos bem estruturados para funcionar, uma empresa também depende de organização, acompanhamento e decisões fundamentadas em informações confiáveis.
Na Solvção Contabilidade, unimos experiência contábil, tecnologia e atendimento consultivo para apoiar empresários em diferentes etapas do negócio.
Para quem atua no setor de TI, esse acompanhamento pode fazer diferença desde a abertura do CNPJ até a expansão das operações.
Abertura e regularização de empresas
Apoiamos o empresário na estruturação e formalização do negócio, considerando a natureza jurídica, as atividades desenvolvidas e as exigências legais.
Consultoria e planejamento tributário
Nossa equipe atua na análise de enquadramento, revisão tributária e identificação de oportunidades legais para melhorar a eficiência fiscal da empresa.
Conheça nossa Consultoria Tributária.
Contabilidade digital e consultiva
Combinamos ferramentas digitais e atendimento realizado por profissionais para facilitar o acesso às informações contábeis e apoiar decisões do dia a dia.
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BPO Financeiro
Para quem deseja dedicar mais tempo ao desenvolvimento de produtos, atendimento de clientes e expansão comercial, oferecemos terceirização de rotinas financeiras.
Nosso BPO Financeiro contempla atividades como contas a pagar e receber, conciliação bancária, controle de fluxo de caixa e relatórios gerenciais.
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Afinal, não basta que uma empresa de tecnologia desenvolva boas soluções. Ela também precisa de uma estrutura empresarial capaz de sustentar seu crescimento.
Neste 19 de outubro, a Solvção Contabilidade parabeniza todos os profissionais de Tecnologia da Informação e reconhece a importância de seu trabalho para o desenvolvimento dos negócios e da sociedade.